
2026: iminência latente de guerra, inteligência artificial, crise climática, e a exigência de que as mulheres sejam símbolo de ordem, estabilidade e subserviência: magras, limpas e eternamente jovens. Um patamar de perfeição que é comercializado sem critério por farmácias e clínicas de estética. Se esse cenário não exige uma trilha sonora caótica, não imagino em qual outro ela se encaixaria tão estrategicamente.
Vestindo estampas de oncinha e brilho sem a menor intenção de sarcasmo ou ironia, uma leva de cantoras pop vem desafiando o padrão estético e comportamental imposto pelo conservadorismo contemporâneo, munidas de uma ambiência sonora pautada no pop eletrônico estridente, letras descaradamente hedonistas, uma sexualidade anárquica que beira o narcisismo e a obsessão pelo que antes era pejorativamente rotulado nos Estados Unidos como estética white trash (popularmente denominado de “pobreza cafona”, criado para inferiorizar as periferias culturais do país – derivadas, principalmente, da cultura negra pós-era da segregação racial nos EUA). Trata-se de uma assinatura visual e sonora adotada por nomes como Slayyyter, Kim Petras, Cobrah, Demi Lovato, Tatiana Schwaninger (do Snow Strippers), Tove Lo e pela veterana e madrinha do movimento: Ke$ha.

Em I’m Your, Girl Right?, referência de seu novo álbum Estrus, Tove Lo canta: “We fuck all night on Ritalin-lin-lin-lin”. Slayyyter, por sua vez, se descreve como uma garota de Saint Louis “bêbada demais e bagaceira… megahair aparecendo… com cara de louca”. Já Thong, single recente da artista londrina em ascensão Amara ctk100, exalta calcinhas minúsculas: a capa destaca uma calcinha fio-dental despontando bem acima do cós da saia, e o velho lema do “finja até que seja verdade”: “Benz outside, oh no, I lied”.

Parte disso parece um desdobramento do niilismo pós-quarentena, onde o cenário político se tornou tão degradado que a única saída parece ser tocar o foda-se e se divertir, afinal, a noção de permanência que tínhamos até 2019 sublimou após o estopim da pandemia de COVID-19 em 2020 sublimou, o que reformulou completamente a maneira como a sociedade ocidental (e não só) lida com conflitos estéticos, culturais e políticos.
O que diferencia o contexto atual de outros momentos do pop escapista em tempos de recessão é a reafirmação insistente do lugar de protagonista (main character energy) e a recusa contundente de qualquer ideal de respeitabilidade feminina. “Quanto mais velha fico, mais pesada se torna a cobrança para ser uma mulher direita [de bem, recatada, do lar], e esse molde é um tédio sem fim”, afirma Tove Lo, aos 38 anos. “Existe um poder imenso na segurança de não querer fazer tudo certinho.”

Há cerca de cinco anos, cantoras intimistas no estilo sad-girl, como Olivia Rodrigo e Holly Humberstone, transmitiram a angústia de uma geração que viveu o momento crítico de seu desenvolvimento social durante o confinamento pandêmico. Assim que a pandemia cedeu, a GenZ resgatou a cena underground inconsequente do pós-11 de Setembro sob o rótulo de indie sleaze, dançando sobre os escombros de suas próprias perspectivas de futuro arruinadas pelo caos maior instaurado no mundo. Para representar seu estado de espírito, resgataram dos anos 2000 o delineador borrado, a meia-calça rasgada e o retorno do electroclash que projetos como The Dare trouxeram à tona.

Essa sonoridade dos anos 00 ‘s é que dita o tom da música hoje. Tove Lo enaltece a crueza e aspereza da época, algo que atribui ao fato de as pessoas não estarem nem aí para as aparências, já que ninguém as estava filmando, numa era idílica pré-smartphones: “Essa urgência de se revoltar contra o padrão vai acumulando dentro da gente como uma panela de pressão. O universo sonoro agressivo de Crank, da Slayyyter, que parece um soco na cara enquanto você berra, é o que torna essa catarse possível.”

Em 2026, a influência daquelas cenas transcende para um electro-pop libertino e sujo, que transita drum’n’bass pulsante ao EDM hiperativo, acompanhado da atitude de astro do rock resgatada do punk dos anos 1990’s e levadas vocais derivadas do rap. A produção é extremamente maximalista: guitarras distorcidas e sujas, sintetizadores estourados e refrões viciantes. Paralelamente, a essência visual bebe da cultura norte-americana devassa e impulsiva de meados dos anos 2000: o Spring Break da MTV, Britney Spears surtada e careca, a explosão saudosista do pornô na internet e dos reality shows (muitas vezes mesclados em uma mesma produção, como em programas como The Girls Next Door).
Surgidas no circuito de boates LGBTQ+ de Hollywood, antigas faixas pop gravadas por celebridades de reality shows que antes eram rotuladas como puro mau gosto e símbolo de chacota pelos veículos de comunicação da época (Paris Hilton, Heidi Montag e Erika Jayne e a galera de The Real Housewives of Beverly Hills) foram reabilitadas como marcos fundamentais do trash-pop. Seja com Slayyyter berrando “I’m actually kinda famous” ou Kim Petras ostentando uma bolsa Louis Vuitton e maços de dinheiro vivo no clipe de Freak It, essas artistas evocam uma era em que as regras da fama são reformuladas e onde o estrelato representa, para algumas, uma escada cravejada de strass e animal print para fugir da pobreza.

Os primeiros vestígios dessa sonoridade suburbana e debochada podem ser encontrados na obscenidade ríspida de Peaches, ícone do electroclash do início dos anos 2000, e nas provocações inteligentes com base no rap de Princess Superstar, cujo single Perfect, de 2005, ressuscitou com a geração Z após o filme Saltburn. O trash-pop foi destilado nas noitadas de Hollywood em meados dos anos 2000, época em que pioneiros do EDM como Skrillex dividiam a pista com Paris Hilton, mescla que moldou Porcelain Black. Na época recém-chegada de Detroit a Los Angeles, ainda adolescente, produzia um caldeirão barulhento de electro-pop e batidas industriais com letras sobre dominar o mundo e “foder como uma estrela”.
Não demorou para a indústria fonográfica perceber o potencial financeiro desse arquétipo: em 2009, o boom de Tik Tok, single de estreia de Kesha, sincronizou o niilismo pós-crise financeira global, coroando Kesha rainha do trash pop. Em 2025, Slayyyter e Kesha se juntaram à britânica Rose Gray no conhecido hino das pistas Attention!. “Minha música simplesmente não existiria sem a Kesha”, já declarou Slayyyter.


Há dois anos, o álbum Brat, de Charli XCX, impulsionou o pop com uma fúria clubber hedonista, abrindo de vez o duto cultural por onde o trash-pop pôde escoar. Como a própria ToveLo afirma, “A Charli puxa a fila, ela não espera acontecer. O som dela é tão contagiante que é impossível não contaminar tudo o que surge de novo”.
Como Brat era seu sexto álbum de estúdio, Charlie acabou desenhando também o mapa do tesouro para Slayyyter. Em seu terceiro disco, Wor$t Girl in America, Slayyyter trocou o glamour de Hollywood por micro shorts jeans e bonés de caminhoneiro (trucker hats), alcançando finalmente a consagração pop que perseguia desde 2018. Quando subiu ao palco para uma multidão histórica no Coachella 2026, já figurava entre as artistas mais comentadas do cenário pop americano. O pop evidencia sempre o que soa mais visceralmente autêntico no artista, e elas alcançaram isso através de uma estética extremamente latente e que acaba funcionando de forma cíclica no universo pop.

Essas mulheres estão se apropriando do estereótipo machista da mulher descompensada e histérica, enquanto atuam como estrategistas por trás de cada detalhe. É possível interpretar o movimento como uma reparação histórica da década de 2000, quando jovens estrelas brancas desgrenhadas eram sumariamente tachadas de descontroladas: hoje sabemos que Paris Hilton apenas encarnava a persona de loira burra como jogada de marketing, enquanto Britney Spears não teve a mesma sorte, perdendo o domínio da própria vida sob uma tutela abusiva que durou 14 anos.

Esse glamour é típico do início da era da internet que, até muito pouco tempo atrás, era rotulado como o ápice da cafonice. Slayyyter chegou a batizar uma faixa de Brittany Murphy, homenageando a falecida atriz de As Patricinhas de Beverly Hills e Garota, Interrompida, que morreu em 2009, aos 32 anos, vítima de pneumonia, anemia e intoxicação medicamentosa. As mulheres erroneamente rotuladas daquela época estão finalmente sendo reavaliadas sob outra ótica que reconhece sua relevância cultural.
Se o termo white trash define uma branquitude que flerta perigosamente com os estigmas impostos à negritude, quando mulheres brancas e queer performam essa feminilidade bagaceira, estão criando uma versão branca do conceito de ratchet, ou seja, uma vivência sexual feminina que transgride os limites da respeitabilidade de classe e de raça. Artistas negras do cenário Rap e HipHop como Megan Thee Stallion e Cardi B já faziam exatamente isso meia década atrás, e transgredir para atmosferas onde essas artistas não são nem cogitadas é importante para que suas origens culturais sejam perpetuadas.

Embora esse visual colida frontalmente com a corrente paralela de divas de estética retrô e acabamento impecável, como Olivia Dean, Raye e Sienna Spiro, há quem aponte o risco de o trash-pop soar igualmente pré-fabricado: o figurino pode até sugerir faturas estouradas e cheque especial, mas por trás das câmeras estão empresárias e investimentos milionários. Contudo, a Geração Z pouco se importa se essas estrelas vivem – ou não – na pele os perrengues que cantam. Toda tendência é performática por definição. No fim das contas, os jovens que aderem à estética despojada de ressaca sem a parte que a causou também adota a performance como parte de sua identidade.
Tove Lo, estrategista do Caos
Afirmar Tove Lo como veterana e porta-voz da cena pop em 2026 não é acidental: a artista sueca é uma das principais arquitetas da ponte entre o pop confessional dos anos 2010 ‘s e o hedonismo caótico do atual trash-pop.
A Genealogia do Caos Feminino no trash-pop é uma resposta niilista a crises estruturais, onde artistas buscam euforia em meio ao colapso. Tove Lo já explorava essa dinâmica em 2014 com seu álbum de estreia, Queen of the Clouds. O hit Habits (Stay High) foi um divisor de águas no pop radiofônico justamente por recusar a dor polida e comercializável. Ela cantava abertamente sobre vomitar na banheira, ir a clubes de strip-tease, transar com estranhos e usar substâncias para amortecer o luto emocional.



Enquanto canta sobre “fuck all night on Ritalin”, Tove Lo já normalizava o uso de substâncias e o descontrole não como fetiche masculino, mas como sintoma da bagunça interior da mulher real, rejeitando a respeitabilidade feminina, recusando ser um “templo de ordem” (magra, contida, dócil) e celebrando a sexualidade sem pudor ou restrições.
A discografia de Tove Lo foi construída a partir da reivindicação do direito ao tesão cru, ao voyeurismo, sexo sem compromisso e fetiches sujos (como em Lady Wood, 2016 – gíria para ereção feminina – e Dirt Femme, 2022). Sua performance (como o hábito de mostrar os seios durante Talking Body) nunca foi apelo para o olhar masculino tradicional, mas como afirmação descarada de soberania corporal e afronta à etiqueta puritana do pop corporativo.
“Quanto mais velha fico, mais pesada se torna a cobrança para ser uma ‘mulher direita’, e esse molde é um tédio sem fim” Tove Lo, 2026.

Tove Lo foi a precursora que abriu caminho para que a nova leva do trash-pop pudesse existir sem precisar se desculpar pelo excesso. Mesmo enfrentando censura, manteve as letras cruas e videoclipes sem censura, transformando a vulnerabilidade feia, a libido desmedida e a bagunça psicológica em uma das formas mais potentes de autonomia artística da última década, ganhando força a partir de seu selo independente, enfrentando a pressão etária de forma concisa e dobrando a aposta no controle e autonomia criativa indo contra o que a indústria impõe às artistas pop femininas, personificando a compositora e produtora que detém o domínio intelectual e financeiro sobre a própria desordem estética.

Embora tenha sido treinada no academicismo de compositores pop suecos (ao lado de Max Martin e do coletivo Wolf Cousins), Tove Lo sempre contaminou melodias comerciais com timbres industriais, graves pesados e influências de techno/electroclash. Sua colaboração com nomes da vanguarda eletrônica (como SG Lewis, Flume, Boys Noize e agora o diálogo com a cena de Slayyyter e Cobrah) demonstra como ela utilizou a pista de dança escura e suja como o único ambiente onde a euforia e a neurose feminina podem coexistir sem pedir licença.

Um dos pontos mais relevantes na evolução de Tove Lo como artista é a constante nítida do seu amadurecimento. Do início da carreira até hoje, sua trajetória tem sido uma progressão concisa tanto em termos de qualidade artística estética quanto de evolução sonora. É possível traçar paralelos e atribuir rótulos em seus lançamentos anteriores: de “fazer concessões para agradar o grande público” a “encontrar a própria voz”; de experimentar sonoridades a alcançar o equilíbrio e descobrir sua identidade, e assim por diante. Em seu trabalho anterior, Sunshine Kitty, parecia que Tove Lo tinha finalmente achado o encaixe perfeito, começando a transitar com segurança dentro de seu próprio nicho.
É incrível como a artista soube capitalizar exatamente o que tornou o disco anterior tão marcante, entregando um sucessor que soa mais maduro e mais despojado em todos os pontos que realmente importam. Há uma forte e clara influência da disco music ao longo do álbum que não soa apelativa ou desnecessária, mas sim complementar às suas composições, sua assinatura vocal e a identidade marcante lapidada ao longo de quatro álbuns. O disco traz notas daquela cantora abertamente sexual em seu ápice mais provocador, mas também em seu momento mais vulnerável, cheio de nuances artisticamente interessantes.

ESTRUS
A evolução da música pop feminina até 2026 revela um movimento claro de ruptura: em resposta ao colapso social, às exigências corporativas por uma perfeição estática e ao controle sobre os corpos, o trash-pop e o electroclash emergiram como ecossistemas de libertação. No centro dessa transformação, Tove Lo atua como elo entre o pop confessional da década de 2010 e a celebração do caos desobediente.

A evolução de Tove Lo é pautada por uma ascensão contínua em sofisticação sonora e postura artística, organizada em marcos claros:
O Pop Confessional e o Caos Real (Era Queen of the Clouds / Lady Wood), quando entrou na cena recusando a dor polida. Enquanto o pop tradicional higienizava o sofrimento feminino, hits como Habits (Stay High) traziam a ressaca, o choro na banheira e a busca por amortecimento emocional em substâncias. Em Lady Wood, ela introduziu o conceito de desejo explícito não filtrado pelo olhar masculino (male gaze).

Em Sunshine Kitty, conseguiu o encaixe sonoro perfeito, onde provou sua capacidade de construir ganchos chiclete e refrões altamente comerciais sem perder a vertente debochada e ácida de suas letras.
Em Dirt Femme entrega elegância e maturidade com referências oitentistas, onde abraçou uma sonoridade electropop cintilante, com arranjos equilibrados da disco music e sintetizadores maduros. Músicas como No One Dies From Love e 2 Die 4 trouxeram um contraste entre a vulnerabilidade emocional e a energia das pistas de dança, demonstrando domínio técnico e segurança estética.

Com Estrus, a artista eleva o caos e a sensualidade a um patamar de ritual e devoção. Em vez de pedir desculpas pelo excesso, assume o controle narrativo definitivo, convertendo o desejo feminino em um ato solene de soberania.

Uma das contribuições mais subversivas do trabalho de Tove Lo para o pop feminino é a subversão da objetificação sexual: na história da cultura pop, a mulher ocupa a posição de objeto contemplativo. Tove Lo inverte essa lógica ao assumir o papel de sujeito ativo do desejo. Nas suas letras e composições visuais, o homem é despojado de sua autoridade e colocado como mero utilitário estético para a satisfação e o prazer da mulher.
Faixas como Attention Whore e Good Puss (de Cobrah) exemplificam como o corpo masculino e o olhar do outro são instrumentalizados. O ato de se expor, dançar ou expressar sensualidade não busca a validação patriarcal, mas atua como demonstração de autocontrole, onde a mulher dita os termos da interação.
No conceito de Estrus, Tove Lo eleva o corpo, o desejo e a catarse feminina ao status de ritual sagrado. O caos deixa de ser visto como descontrole ou histeria e passa a ser cultuado como a energia primordial de uma divindade soberana. Essa estética do “Feminino no Altar” desdobra-se de forma marcante nos visuais do projeto. Em I’m your girl right?, Tove Lo apresenta o ritual da submissão masculina: o clipe estabelece uma forte dicotomia entre dois ambientes. De um lado, homens com cabeças raspadas e regatas brancas realizam movimentos coreografados e rotinas rígidas em uma pedreira e em corredores, performando uma disciplina militarizada que evoca a contenção e o enquadramento masculino.

Dentro do refeitório e da instituição, as mulheres com uniformes azuis inicialmente seguem normas estritas, quase como em um internato religioso. A entrada da presença visceral de Tove Lo e a evolução da música quebram essa ordem. O ambiente se transforma em uma celebração frenética: móveis são virados, mesas são invadidas e a contenção dá lugar a uma dança coletiva e possessiva. A corrida final sob o céu aberto simboliza a fuga das amarras institucionais em direção à libertação e à comunhão absoluta.


Em DNH, temos a estética da guardiã no pórtico: o visualizer adota uma atmosfera sombria e imponente. Tove Lo surge em plano estático diante de uma entrada iluminada por uma luz rosa frenética e estroboscópica. Trajando um conjunto de couro preto estruturado, a artista permanece impassível, fumando um cigarro com olhar fixo e dominante para a câmera. Enquanto Tove Lo se mantém firme como uma figura totem na entrada do templo, figuras em vestidos claros passam correndo em transe e desespero ao seu redor. Ela não se abala com a desordem externa; ela é o próprio eixo central em torno do qual o pânico e o desejo alheio orbitam.

Em visualizers que foram divulgados para Des Fleurs, parceria com Stromae, temos alguns signos interessantes como o altar e a sacralidade da sensualidade, onde a câmera foca de forma quase religiosa em um altar repleto de velas acesas e derretidas. Diante dessa estrutura sacra, Tove Lo surge vestida com uma túnica branca pregueada, evocando a figura de uma sacerdotisa ou de uma própria entidade divina no altar, realizando uma dança frenética, prostrando-se e jogando o corpo repetidamente contra o solo e em direção ao altar. O movimento corporal intenso, aliado à fusão entre o francês e o inglês e às batidas pulsantes, transforma o ambiente em um espaço de possessão estética, onde o desejo e a entrega física são elevados ao plano divino.

A trajetória de Tove Lo e a consolidação do movimento trash-pop demonstram que a apropriação do excesso, da sensualidade gráfica e do ruído sonoro e visual não é uma concessão à futilidade, mas uma estratégia deliberada de soberania. Ao colocar o feminino no altar (seja no couro imponente de DNH, na revolta institucional de I’m your girl right? ou na devoção corporal de des fleurs), Tove Lo consolida o caos não como uma fraqueza a ser corrigida, mas como o território definitivo onde a autonomia feminina é celebrada e exercida sem concessões.











































