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Editoriais Vol. 02 - Nº 03 - 2021

EDITORIAL: Linguagens

Hoje (28/06/2021) é dia do orgulho LGBTQIA+. O tema desta edição, no entanto, parece distante das questões do orgulho, da vivência ou da luta dessa bandeira. É verdade, porém, que a maioria da equipe que compõe esta revista faz parte da comunidade LGBTQIA+ e vê, obviamente, a necessidade de abordar nossas temáticas em uma revista voltada para o audiovisual, um meio que, por muito tempo, não nos retratou com muita justiça e tampouco nos empregou ou nos deu as oportunidades certas para deixar, nas telas, as marcas de nossa existência.

Os tempos têm mudado? Talvez. Mas é impossível não olhar ao redor e ver, em todo canto, os reflexos e consequências da eleição de um LGBTfóbico como presidente de um país tão plural e diverso como o nosso. É nesse tempo, nesses dias incertos, encobertos por uma sombra de dúvidas e ameaças (visíveis e invisíveis), que enxergamos a necessidade de falar, HOJE, sobre arte, cultura, cinema, televisão, sendo assumidamente LGBTs. Viver com medo não é uma opção e, apesar de acreditarmos na urgência de demarcar as potências de nossas vidas, o (nem tão) simples gesto de manter uma publicação como esta, em dias como estes, com um expediente como o nosso, é também uma forma de afirmar nosso ORGULHO e nossa RESISTÊNCIA. Que nossa linguagem não seja apenas a da sobrevivência, pois estamos vivos e ativos, nos mantemos produtivos mesmo sob a atmosfera de tempos tão difíceis.

Nesta edição, Letícia Oliveira comenta a respeito do filme Estou Pensando em Acabar com Tudo (Charlie Kaufman, 2020) sob um viés existencialista; PH Martins se debruça sobre O Caso Evandro (Aly Muritiba e Michelle Chevrand, 2021), série de TV baseada no podcast do jornalista Ivan Mizanzuk; Gustavo Guilherme tenta traçar um panorama breve a respeito da metalinguagem no cinema contemporâneo a fim de assumir a importância do exercício da linguagem cinematográfica; e Leonardo Ribeiro dedica ao filme Histórias que Nosso Cinema (não) Contava (Fernanda Pessoa, 2017) um importante texto que nos relembra da fertilidade transgressora de nosso cinema.

Além disso, a Revista Reimagem entra em uma nova fase, ampliando-se para outras mídias: dois podcasts são veiculados aqui, um deles é o Olhos Fechados, produzido do Leonardo Ribeiro; o outro, uma produção independente da própria revista, apresentada por Gustavo Guilherme e Letícia Oliveira, é o podcast sobre terror e seus subgêneros Terrorias da Conspiração. Além disso, a revista estreia nessa edição a webserie S[c]inédoque, roteirizada e dirigida por Gustavo Guilherme, disponibilizada em seu canal no Youtube.

Como pessoas LGBTQIA+, temos orgulho em apresentar, nessa edição, a temática da Linguagem e suas divisões, seus movimentos, suas subversões, talvez a fim de ressoar, assim, a resistência de nossa própria linguagem.


EXPEDIENTE || Editor-chefe: Gustavo Guilherme da Conceição | Revisões: Gustavo Guilherme e Letícia Oliveira | Tradução e revisão (English version – coming soon): Letícia Oliveira | Mídias sociais: Luana Macedo Pereira || Assinam os textos desta edição: Gustavo Guilherme da Conceição, Letícia Oliveira, Leonardo Ribeiro e PH Martins ||| Agradecimentos especiais a Erly Vieira Jr.

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