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Editoriais Vol. 01 - Nº 01 - 2020

Reimaginar…

Refilmagens, recomeços, sequências, atualizações, novas versões das histórias mais contadas, dos mais antigos personagens. Perseguindo constantemente um objetivo de reinvenção, a TV e o Cinema parecem cada vez mais interessados em revisitar e/ou atualizar velhas imagens. Termos como remake e reboot tornaram-se populares e rendem discussões e teorias das mais variadas, além de terem se transformado em fontes muito rentáveis de entretenimento. Nesse sentido, até mesmo questões políticas muito caras ao nosso tempo podem ser engolidas pela lógica de mercado da indústria audiovisual para que possam ser devidamente embaladas para consumo fácil do faminto espectador contemporâneo. Dessa forma, conceitos como representatividade ou subjetividade podem ser esvaziados e/ou mascarados a fim de assumirem formatos mais palatáveis.

Talvez, portanto, seja necessário observar com cautela essa figura que se (re)desenha no mapeamento desse audiovisual hegemônico contemporâneo, questionar e ressignificar o que está posto a fim de apregoar a existência (e resistência) de outros olhares, outras percepções, outras vivências.

Como, dentro dessa lógica, corpos, vidas e culturas não hegemônicas tem sido representadas? Como essa tendência audiovisual contemporânea atualiza (ou não) as questões que propõe revisitar – cinematográficas, dramáticas, estéticas, narrativas, mas também sociológicas, filosóficas, políticas, psicológicas – e de que maneira isso pode (ou não) influenciar o imaginário coletivo? É possível traçar outra cartografia dessa tendência a fim de apontar alternativas que, apesar de fazerem parte desse tempo, acenam com alguma originalidade e potência para outras propostas e possibilidades?

O objetivo dessa primeiríssima edição é (re)pensar filmes, séries, novelas, etc. que se propõem a revisitar histórias já contadas, personagens já representados, dilemas já abordados ou memórias e abordagens muito presentes no imaginário coletivo por causa do audiovisual; é analisar a potencialidade desse processo de revisitar e atualizar imagens, reconhecendo ou desconfiando da popularidade dessas produções; é, também, questionar as hegemonias de produção que permitem que, mesmo quando se prestam a reimaginar uma obra, permanecem propagando conceitos envelhecidos e ultrapassados.

Nesta edição: novas propostas de encenação apontam para possibilidades de renovação no cinema contemporâneo; velhas fábulas se atualizam a fim de contar a história oculta da opressão de um povo; uma desconfiança inicial a respeito da representação do negro na televisão brasileira e o surgimento do mito do herói branco; provocações a respeito do documentário político (ou a política no documentário) brasileiro contemporâneo. Além disso, sessões livres de fluxo contínuo recebem textos sobre a relação dos leitores com o audiovisual e de profissionais da área e sua experiência no mercado; críticas de cinema e tv e um artigo especial sobre o prolongamento da experiência cinematográfica na estreia da Seção Painel.

Reimaginar é, também, duvidar, reconstruir, atualizar. Reimaginemos, então.

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