A Revista

Inauguramos esta revista em 2020 afirmando que “o audiovisual é, antes de tudo, uma linguagem”. Na ânsia de fazer pulsar todas as possibilidades dessa linguagem, publicamos, ao longo de três anos, artigos, entrevistas, críticas, podcasts e uma websérie. No Instagram, ampliamos nosso território para falar principalmente sobre cinema, elegendo o que tínhamos visto de melhor em 2022 e 2023. Mas, entre tantas definições plausíveis, pode-se dizer que uma Linguagem também é um conjunto de símbolos que, entre tantas coisas, é capaz de sequestrar um instante do fluxo da efemeridade e realocá-lo em outras noções de tempo. O audiovisual é, antes de tudo, uma linguagem-tempo.

Entre 2020 e 2023, a Revista Reimagem se constituiu como espaço de escrita, pensamento e experimentação contínua. Depois disso, houve silêncio. E nessa aparente ausência de linguagem, experimentamos outros tempos: o tempo de criação e de circulação dava lugar ao tempo do desaparecimento – como uma árvore carregada que, de repente, deixa de dar frutos.

Durante esse hiato, ainda envoltos pela dormência, perambulamos entre o despertar e a permanência no tempo do silêncio, em completo estado de fantasmagoria. Flertamos com o fim, ainda abraçados aos mesmos desejos – pensar, escavar e experimentar as imagens do mundo. Mas, se a História das Imagens é feita também de interrupções e recomeços, talvez seja preciso reimaginar esse hiato como parte fundamental dos processos de observação necessários à experiência crítica.

Em 2026, portanto, a Revista Reimagem retorna, atravessada por inúmeras e variadas questões, desejosa por se destruir/reconstruir, constantemente, através dos tempos, como um espaço de escrita e investigação sobre essa Linguagem, ainda mais conscientes das (im)possibilidades causadas pelos percalços do Tempo.

Sejam bem-vindos, novamente.